As narrativas sociais continuam a reproduzir uma divisão binária do mundo, visível, por exemplo, na segmentação de brinquedos. Os dirigidos a rapazes apresentam maior diversidade de modelos e referências, estimulando a imaginação e a projeção de múltiplas trajetórias de vida, frequentemente associadas à tecnologia, à manipulação de máquinas e à experimentação. Por contraste, os destinados às raparigas são menos diversificados e fortemente ancorados em estereótipos persistentes, reforçando papéis profissionais conservadores, centrados no cuidado, e promovendo a objetificação dos seus corpos.
Estes estereótipos contribuem para que muitas raparigas, desde a idade pré-escolar até ao ensino superior, se percecionem como menos competentes para prosseguir percursos nas áreas da engenharia e das ciências, tradicionalmente associadas à autoridade e ao estatuto social. Garantir o acesso a competências digitais e tecnológicas é fundamental, mas insuficiente sem uma transformação estrutural das desigualdades de género. Neste sentido, a educação assume um papel central na desconstrução destes modelos e na promoção de uma participação equitativa nos domínios CTEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
Neste laboratório, a criação de imagens e animações GIF dá lugar a composições visuais que questionam atitudes, comportamentos e papéis sociais atribuídos ao feminino e ao masculino. A prática artística afirma-se como dispositivo de consciência crítica, evidenciando estruturas de desigualdade e problematizando conceções estereotipadas de género.
Social narratives continue to reproduce a binary division of the world, visible, for example, in the segmentation of toys. Those targeted at boys offer a wider diversity of models and references, stimulating imagination and the projection of multiple life trajectories, often associated with technology, the manipulation of machines, and experimentation. By contrast, those aimed at girls are less diverse and strongly anchored in persistent stereotypes, reinforcing conservative professional roles centred on care, while also promoting the objectification of their bodies.
These stereotypes contribute to many girls, from pre-school through higher education, perceiving themselves as less competent to pursue pathways in engineering and the sciences, fields traditionally associated with authority and social status. Ensuring access to digital and technological skills is essential, but insufficient without a structural transformation of gender inequalities. In this context, education plays a central role in deconstructing these models and promoting equitable participation in STEAM fields (Science, Technology, Engineering, Arts and Mathematics).
In this laboratory, the creation of images and GIF animations gives rise to visual compositions that question attitudes, behaviours, and social roles attributed to the feminine and the masculine. Artistic practice thus emerges as a device for critical awareness, revealing structures of inequality and challenging stereotyped conceptions of gender.
Orientação / Supervision (DAVD/EA/UÉ): Profª Teresa Furtado.
Participantes / Participants (DAVD/EA/UÉ): Andria Caseiro, Bárbara Minhó, Beatriz Ferreira, Bruna Oliveira, Carina Batista, Carolina Carapinha, Catia Pereira, Diana Martins, Diogo Ognyanov, Gelson Francisco, Jéssica Lopes, Margarida Peneirol, Rafaela Costa, Sara Braz, Sara Gregório e Sofia Coelho.