Tendo como foco a violência no namoro enquanto fenómeno social estrutural e frequentemente invisibilizado, foi desenvolvido o laboratório de arte multimédia “Na Escola Só o Coração é que Bate” na Escola Secundária Gabriel Pereira (ESGP), em Évora. O projeto reconhece que esta forma de violência emerge precocemente em relações juvenis, manifestando-se em dimensões físicas, psicológicas, sexuais e digitais, sustentadas por dinâmicas de poder e controlo. Estudos nacionais indicam elevada prevalência destes comportamentos, com maior incidência associada ao género masculino em alguns indicadores, ainda que coexistam dinâmicas bidirecionais (UMAR, 2025).
A intervenção sublinha a forma como as redes sociais intensificam estes comportamentos através da exposição constante, da vigilância relacional e da normalização de narrativas românticas baseadas na posse, contribuindo para a dificuldade de identificação do abuso e para o reforço de desigualdades de género. Neste enquadramento, a violência é entendida como um fenómeno culturalmente produzido e reforçado por representações mediáticas e práticas quotidianas. Metodologicamente, o laboratório integrou fotografia, composição de objetos escolares e fotomontagem digital para a criação de cartazes de comunicação visual acessível, pensados para campanhas de sensibilização em contexto escolar. O processo incluiu sessões de apresentação temática, debate coletivo e produção de materiais gráficos e áudio com frases e mensagens alusivas à prevenção da violência e à promoção da igualdade de género.
Em paralelo, realizou-se no Colégio dos Leões, em Évora, a oficina de fotomontagem digital “Castanha na Escola só se for assada”, desenvolvida em colaboração entre estudantes da Escola Secundária Gabriel Pereira (ESGP) e do Departamento de Artes Visuais e Design da Universidade de Évora (DAVD/UÉ). A proposta recorre a um jogo semântico e humorístico com a expressão popular portuguesa, onde “castanha” remete também para “soco”, reforçando simbolicamente a rejeição da violência física no espaço escolar e promovendo a reflexão crítica através da linguagem visual. O conjunto das duas oficinas culminou em exposições públicas dos resultados, consolidando uma abordagem pedagógica e artística orientada para a sensibilização, prevenção da violência no namoro e transformação de representações sociais no contexto educativo.
Focusing on dating violence as a structural and often invisible social phenomenon, the multimedia art lab “At School Only the Heart Beats” was developed at Escola Secundária Gabriel Pereira (ESGP), in Évora. The project acknowledges that this form of violence emerges early in youth relationships, manifesting across physical, psychological, sexual, and digital dimensions, and is sustained by dynamics of power and control. National studies indicate a high prevalence of such behaviours, with some indicators showing a higher incidence associated with males, although bidirectional dynamics also persist (UMAR, 2025).
The intervention highlights how social media intensifies these behaviours through constant exposure, relational surveillance, and the normalization of romantic narratives based on possession, contributing to the difficulty in identifying abuse and reinforcing gender inequalities. Within this framework, violence is understood as a culturally produced phenomenon, reinforced by media representations and everyday practices. Methodologically, the lab integrated photography, compositions using school-related objects, and digital photomontage to create accessible visual communication posters intended for awareness campaigns in school contexts. The process included thematic presentations, collective discussion, and the production of graphic and audio materials featuring messages related to violence prevention and gender equality.
In parallel, the digital photomontage workshop “Chestnut at School Only if Roasted” was held at Colégio dos Leões, in Évora, developed in collaboration between students from ESGP and the Department of Visual Arts and Design at the University of Évora (DAVD/UÉ). The proposal employs a semantic and humorous play on a Portuguese expression, in which “chestnut” can also mean “punch,” symbolically reinforcing the rejection of physical violence in school settings while promoting critical reflection through visual language. Both workshops culminated in public exhibitions of the outcomes, consolidating a pedagogical and artistic approach aimed at raising awareness, preventing dating violence, and transforming social representations within the educational context.
Orientação / Supervision (ESGP): Prof.ª Maria João Vilela Machado.
Orientação / Supervision (UÉ): Profª Teresa Furtado (DAVD/EA/UÉ), Dra. Célia Peralta, (Gabinete para a Igualdade de Género e Inclusão da UÉ / UÉ Office for Gender Equality and Inclusion) e Joaquim Tavares (artista e alumnus da UÉ / Ué artist and alumnus)
Coordenação (DEIS/CME): Dra Helena Ferro e Dr. Paulo Caraça.
Palestrante / Speaker: Dra. Ana Beatriz Cardoso (jurista e presidente da Associação Ser Mulher, Évora / lawyer and chair of the Ser Mulher Association, Évora).
Monitoras (DAVD/EA/UÉ): Isabel Guedes e Catarina Ferreira, Mestres em Práticas Artísticas em Artes Visuais / Master’s Degree in Artistic Practice in Visual Arts.
Participantes / Participants (ESGP): Alice Cavaco, António Morais, Beatriz Pataquinho, Carolina Rodrigues, Carolina Reis, Catarina Paias, Daniel Tirapicos, Eva Janeirinho, Guilherme Monginho, Iara Grenha, Inês Silva, Laura Falcão, Laura Gonçalves, Leonor Pereira, Margarida Fonseca, Mariana Pessoa, Mariana Gonçalves, Mariana Passos, Pedro Fialho, Pedro Penado, Rafael Teixeira, Rita Grilo e Teresa Relva.
Participantes / Participants (DAVD/EA/UÉ): Ana Carapinha, Taíssa Silva, Bárbara Minhó, Carina Batista, Catia Pereira, Diogo Ognyanov, Gelson Francisco, Jéssica Lopes, Sara Gregório e Sofia Coelho.