O laboratório “Receitas para a Paz: Imaginar a Não-Violência através da Arte e da Participação” integrou o evento “Bridges of the Everyday: Connections Between Art, Life, and Community”, um projeto de investigação artística de Isabel Bezelga, Teresa Veiga Furtado, Ana Pérez-Quiroga e Jacira da Conceição, realizado na ELIA Academy 2025, em Oslo, Noruega. O projeto explorou práticas artísticas participativas na prevenção da violência de género, entendendo a criação como espaço de investigação crítica e produção de conhecimento. Reunindo estudantes, docentes, investigadoras e artistas de diferentes contextos culturais e geopolíticos, a atividade propôs a criação de “receitas para a paz” em suportes individuais de mesa em papel, através de texto, imagem ou combinação de ambos.
O exercício mobilizou linguagens quotidianas e poéticas para questionar conceções normativas de paz, frequentemente simplificadoras de relações sociais e das suas desigualdades, propondo uma leitura da paz como processo relacional, situado e em negociação contínua. As produções evidenciam abordagens diversas, desde “ingredientes” simbólicos como escuta, cuidado, coragem, solidariedade e justiça, até composições híbridas que articulam referências à confeção de alimentos e práticas domésticas com noções de segurança, pertença e equidade, cruzando dimensões individuais e coletivas. Estes resultados configuram gestos micropolíticos que tornam visíveis e sensíveis conceitos de não-violência, ativando um espaço intercultural de diálogo e reflexão onde prática artística e pensamento ético-político se interligam.
Assente na investigação baseada nas artes, o laboratório afirma a prática artística como enquadramento epistemológico de natureza incorporada, afetiva e relacional. O quadro teórico integra contributos do pensamento feminista e político, destacando a não-violência como compromisso ético-político e a arte como dispositivo crítico e especulativo. No final, os desenhos foram cedidos para reutilização em futuros laboratórios, assegurando continuidade e sustentabilidade do processo.
The laboratory “Recipes for Peace: Imagining Non-Violence Through Art and Participation” was part of the event “Bridges of the Everyday: Connections Between Art, Life, and Community”, an art-based research project by Isabel Bezelga, Teresa Veiga Furtado, Ana Pérez-Quiroga and Jacira da Conceição, carried out at the ELIA Academy 2025 in Oslo, Norway. The project explored participatory artistic practices in the prevention of gender-based violence, positioning artistic creation as a site of critical inquiry and knowledge production. Bringing together students, academic staff, researchers and artists from diverse cultural and geopolitical contexts, the activity proposed the creation of “recipes for peace” on individual paper table mats, using text, image, or a combination of both.
The exercise mobilised everyday and poetic languages to question normative conceptions of peace, often understood in simplified terms that obscure social inequalities and power relations, instead framing peace as a relational, situated and continuously negotiated process. The resulting works reveal diverse approaches, from symbolic “ingredients” such as listening, care, courage, solidarity and justice, to hybrid visual-textual compositions that combine references to food preparation and domestic practices with notions of safety, belonging and equity, intertwining individual and collective dimensions. These outcomes generate micropolitical gestures that render non-violence visible and tangible, creating an intercultural space of dialogue and reflection where artistic practice and ethical-political thought are closely interwoven.
Grounded in arts-based research, the laboratory frames artistic practice as an epistemological approach rooted in embodied, affective and relational forms of knowledge. The theoretical framework draws on feminist and political thought, highlighting non-violence as an ethical-political commitment and art as a critical and speculative device. At the end of the laboratory, participants donated their drawings for reuse in future laboratories, ensuring continuity and sustainability of the process.