LAB 10 / TRAÇOS E ECOS DAS PIONEIRAS DA MEDIA ART / TRACES AND ECHOES OF WOMEN MEDIA ART PIONEERS

Os trabalhos deste laboratório foram desenvolvidos no âmbito dos Cursos de Formação Laboratório de Videoarte e Laboratório de Net Art, microcredenciais da Universidade de Évora, apoiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Resultam de um processo de investigação e criação inspirado no legado de pioneiras da videoarte, da net art e da música eletrónica experimental, frequentemente sub-representadas nas narrativas canónicas da história da arte e da cultura. Desde a década de 1960, estas práticas experimentais romperam fronteiras entre artes visuais, som, performance e tecnologia, redefinindo as relações entre corpo, imagem e representação.

No campo da videoarte, referências como Joan Jonas, Dara Birnbaum e Martha Rosler afirmam o corpo como espaço político e mediático, ativando estratégias de auto-representação, questionamento identitário e crítica social. Em paralelo, compositoras e artistas sonoras como Laurie Anderson, Pauline Oliveros e Éliane Radigue expandem o campo da criação e da escuta para além da tradição musical ocidental, articulando voz, tecnologia e espacialização sonora. A escuta surge como prática crítica e situada, capaz de reconfigurar relações entre corpo, espaço e tempo. No domínio da net art, pioneiras como Olia Lialina, Cornelia Sollfrank e Lynn Hershman Leeson exploram o espaço da internet como território artístico e político, questionando construções de género e relações de poder.

Os trabalhos desenvolvidos incluem quatro instalações de videoarte, duas de natureza interativa, e uma peça de net art em formato de poesia visual digital, apresentada em loop contínuo. Neste contexto, imagem, som e interação configuram um arquivo vivo de experimentação estética e resistência crítica, que interroga regimes de visibilidade, entendidos como sistemas que determinam o que pode ser visto, como é representado e quem adquire visibilidade, e evidenciam as desigualdades e relações de poder que estruturam o espaço social.

Estas abordagens inscrevem-se no campo da media art, compreendido como um domínio artístico que integra meios tecnológicos e digitais, como vídeo, som, computação e redes, não apenas como ferramentas, mas como matéria e linguagem da própria criação. Neste enquadramento, a receção do público transforma-se em participação e coautoria, e a obra deixa de ser um objeto acabado e afirma-se como um processo aberto, construído na relação entre criação artística e experiência participativa. Mais do que uma leitura histórica, os laboratórios afirmam-se como espaços de ativação e investigação, onde práticas artísticas são reconfiguradas para pensar continuidades e tensões entre passado e presente, promovendo novas formas de perceção, relação e pensamento.

The works presented in this laboratory were developed within the Training Courses Video Art Laboratory and Net Art Laboratory, micro-credentials offered by the University of Évora and supported by Portugal’s Recovery and Resilience Plan (PRR). They result from a process of research and creation inspired by the legacy of pioneering women in video art, net art, and experimental electronic music, who are often underrepresented in canonical narratives of art history and culture. Since the 1960s, these experimental practices have broken down boundaries between visual arts, sound, performance, and technology, redefining the relationships between body, image, and representation.

In the field of video art, figures such as Joan Jonas, Dara Birnbaum, and Martha Rosler position the body as a political and media space, activating strategies of self-representation, identity questioning, and social critique. In parallel, composers and sound artists such as Laurie Anderson, Pauline Oliveros, and Éliane Radigue expand the field of creation and listening beyond the Western musical tradition, articulating voice, technology, and spatialized sound. Listening emerges here as a critical and situated practice, capable of reconfiguring relationships between body, space, and time. In the field of net art, pioneers such as Olia Lialina, Cornelia Sollfrank, and Lynn Hershman Leeson explore the internet as an artistic and political territory, questioning gender constructions and power relations.

The works developed include four video art installations, two of which are interactive, and a net art piece in the form of digital visual poetry, presented in a continuous loop. In this context, image, sound, and interaction constitute a living archive of aesthetic experimentation and critical resistance, interrogating regimes of visibility—understood as systems that determine what can be seen, how it is represented, and who is granted visibility—and revealing the inequalities and power relations that structure the social space.

These approaches are situated within the field of media art, understood as an artistic domain that integrates technological and digital media—such as video, sound, computation, and networks—not merely as tools, but as material and language of creation itself. In this framework, reception shifts into participation and co-authorship, and the artwork ceases to be a finished object, becoming instead an open process constructed through the relationship between artistic creation and participatory experience. More than a historical reading, the laboratories assert themselves as spaces of activation and research, where artistic practices are reconfigured to explore continuities and tensions between past and present, fostering new forms of perception, relation, and thought.

Orientação / Supervision (DAVD/EA/UÉ): Profª Teresa Veiga Furtado, Prof. Hugo Marques e Monitora / Monitor Mariana Frias
Participantes / Participantes (DAVD/EA/UÉ): Afonso Tavares, Amelie Sanchez, Ana Margarida Rosa, Ana Rita Lote, Camila Vasquez, Cármen Cangarato, Carolina Martins, Carolina Pedro, Catarina Pereira, Cláudia Carmelo, Dora Jacinto, Érica Barroso, Eva Santos, Lara Pereira, Maria Balbina Leitão, Maria Dolores Santos, Maria Manuela Murteira, Maria Rosemary Pinto, Marisa Bate, Marta Almeida, Marta Matias, Miguel Lança, Nês Costa, Vanda Sim Sim e Timóteo.